quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Mulher de morte

Bom dia!” – disse ela, ao entrar na cafetaria, cumprindo apenas o ritual da boa educação.

Quis responder, mas o calor da sua voz, os seus traços finos mas não delicados e a simetria perfeita das suas formas perturbaram-me tanto, que o coração pulou, inibindo-me por completo qualquer tipo de reacção.

E nessa paralisia adolescente fiquei até vê-la sair poucos minutos depois, lançando-me um olhar-sorriso lascivo, desafiante, mas ao mesmo tempo proibitivo, arrogante.

Morri.

Fosse eu poeta e desesperaria para cantar tamanha transcendência.

Valha-me(?) ser apenas um medíocre contador de estados de alma!

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